sábado, 3 de dezembro de 2011

O Mundial de Snipe de 1959

A competição foi um marco que contribuiu para o projeto de expansão do clube através daconstrução da ilha dos Jangadeiros. A importância do evento foi relevante para o apoio dos órgãos de Governo na execução das obras da Ilha ao longo de duas décadas. A realização do Campeonato Mundial de Snipe, em 1959,foi o principal destaque da década de 50 e representou o início de uma fase de expansão e de conquistas do clube em sua área esportiva e, ao mesmo tempo, no projeto da ampliação de seu espaço a partir da futura Ilha dos Jangadeiros, uma meta que teria início nos anos 60. Tínhamos na época uma pequena sede no continente e um trapiche de pouca capacidade, mas
isso não impediu que o clube trouxesse para o Brasil o Campeonato Mundial de Snipe, sendo a primeira vez que a competição não seria realizada na Europa. 


A primeira providência foi pleitear a indicação do Clube dos Jangadeiros pelo Snipe Class Internatinal Racing Association/SCIRA, quando da realização do mundial daquele ano, em Portugal. Nossos velejadores,
Kurt Egon Keller e Sérgio Christo, os campeões brasileiros que representariam o Brasil, foram os portadores da proposta do Clube dos Jangadeiros, apresentada em reunião realizada na Câmara de Vereadores de Cascais. Keller, 21 anos, mostrou-se um bom advogado da causa, apoiado por Luiz Brotherhood “snipista” pernambucano, que representava a Secretaria Nacional
da Classe Snipe naquele certame. Depois de prolongados debates, em que os europeus alegavam difi culdades no deslocamento até o Brasil, pelo grande dispêndio de tempo e dinheiro, foi aceita a candidatura do Brasil pelo Clube dos Jangadeiros, diante da promessa de construção de uma série de barcos apresentada por Keller e reforçada por Brotherhood. De volta ao Brasil foram iniciadas as tratativas locais para a realização do Mundial, desde a contratação do Estaleiro Alberto Lineburger para construção de 20 barcos, a partir das plantas enviadas pela SCIRA com todas as recentes alterações nas tolerâncias de medidas dos cascos. 


Foi um período intenso para a Comissão Técnica, integrada por Gabriel Gonzalez, Kurt Keller e Helio Franzen, que estavam à frente de todos os preparativos e cuidavam de cada detalhe e, principalmente, da qualidade final dos barcos e de todo o material a ser utilizado nas regatas. As delegações começaram a chegar à capital gaúcha no início de outubro, sendo recepcionadas pelo Comodoro Edwin Ricardo Hennig e pelo Vice-Comodoro Cláudio Alberto Aydos, juntamente com a Comissão Técnica e demais integrantes da Comissão de Recepção e Hospedagem, dirigida pelo comendador Diniz Campos e por Walter Steiner (ex-Filhote).
As delegações estrangeiras que participaram do Mundial de Snipe de 1959: Argentina: Fernando e Jorge Sanjurgo, Bahamas: Godfrey e David Kelly, Bermudas: Eugene Simmons e Robert Soares, Bélgica: Christian Nielsen e
Victor van der Heuvel, Cuba: Gonzalo e Raul Dias, Dinamarca: Paul Elvstroem e Erik Johansen, Espanha: Duque de Arion e Luiz Triay, França: Jean Machy e Pierre Grammond, Guiana Inglesa: J. Atkinson e Ken Settefi eld, Estados Unidos: Richard Tillmann e Alan Levinson, Inglaterra: R. Stewart e K. blagrove, Japão: Masayuki e Setsuo Kawada, Portugal: Helder e Rolando
Soares d`Oliveira, Suécia: Bjorn e Sten Jameson e Uruguai: Victor Pena Pampim e Francisco Figueroa.

A história de uma Ilha

A ideia da Ilha dos Jangadeiros surgiu ainda na década de 40, quando Leopoldo Geyer previu a perspectiva da futura ilha para abrigar barcos de maior porte, sujeitos à fúria do Minuano, o forte e frio vento que varre o rio Guaíba, especialmente nos meses de inverno e início da primavera. 
Mas até o início dos anos 60 a Ilha dos Jangadeiros era apenas uma ideia, até que Geraldo Tollens Linck, comodoro na época, começou a trabalhar forte pelo projeto. Neste momento, dois importantes personagens tornam possível o sonho do patrono Leopoldo Geyer na construção da Ilha dos Jangadeiros. Braço direito de Geraldo Link, Luiz O. Chagas (o Chaguinha), hoje com 92 anos, esteve à frente do projeto a partir de sua experiência como desenhista e profundo conhecedor de barcos.


Por outra parte, o engenheiro Arcy Cattani da Rosa (ex-diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas) assumiu, de forma colaborativa, o comando das obras, desde o prolongamento do trapiche em mais 60 metros, até a conclusão do aterro que deu origem à Ilha. Foram quase três décadas de muito empenho e de campanhas solidárias que uniram inúmeros sócios em busca de um objetivo comum: tornar realidade o que é hoje o maior patrimônio social, de lazer e do esporte de vela do clube. Nesta
primeira etapa, que se iniciou em 1962, a Comissão para Construção da Ilha dos Jangadeiros era formada por Edwin Hennig, Edgar Siegmann, Cláudio Aydos, Edmundo Soares, Kurt Keller, Rodolfo Ahrons e pelo Comodoro Geraldo Tollens Linck. O apoio dos órgãos públicos foi essencial para a construção
da Ilha, desde o licenciamento junto à Marinha e do Departamento de Portos, Rios e Canais (DEPREC) e do Departamento Nacional de Portos Via Navegáveis (DNPVN). Além disso, o clube contou com apoio do Governador Ildo Meneghetti, que esteve presente nas obras quando a draga Trajano
Ribeiro, do DEPREC, iniciava suas atividades no dia 27 de dezembro de 1966. Dois anos antes, em 1964, o projeto da Ilha e Ancoradouro, foi aprovado pela Prefeitura de Porto Alegre, mesmo ano que o Governador do Estado assegurava o uso da área subfl uvial abrangida pelo projeto. 


A construção da Ilha e do ancoradouro se faziam necessários, em função do reduzido espaço no Continente, para abrigar os barcos de competição e garantir segurança aos veleiros em função dos ventos do Minuano. Depois do Mundial de Snipe, em 1959, o clube já não tinha como guardar tantos barcos: eram 42 snipes e pinguins, além de um Finn olímpico. Na época foi necessário construir um pavilhão de madeira, no espaço de uma cancha de tênis, para atender o crescimento do esporte de vela. A partir de uma quermesse, denominada
A Festa da Vela, foi possível obter receita para a construção do novo local que recebeu o nome de Pavilhão Edgar Sigmann. Enquanto a Ilha era um projeto em andamento, os sócios curtiam a beira do Rio Guaíba com suas crianças se banhando em dias de sol e calor; os pais velejando e uma piscina ainda era
um sonho distante.

Enfim, a Ilha dos Jangadeiros

Já no final de 1967 a Iha dos Jangadeiros ganhava seu primeiro contorno e naquele momento a diversão ficava por conta de jogos de futebol em um campo improvisado de areia. As famílias aproveitavam o local para o banho de sol. No começo, alguns quiosques de Santa Fé garantiam a proteção do sol para as famílias que lá desfrutavam do novo ambiente ainda em fase de construção. O trabalho de dragagem, aterro e dos molhes de contenção foi evoluindo dentro das condições e possibilidades, uma vez que as dragas pertenciam ao Estado e, muitas vezes, estavam em operação de obras públicas. E problemas não faltaram ao longo desta jornada, desde a mudança do mestre da draga, várias quebras de mangotes, e até a falta de combustível. Se nas obras realizadas na água havia complicações,
em terra não era diferente, com problemas para contenção do aterro nos limites de interesse do projeto.Foram necessárias máquinas rodoviárias e escavadeiras hidráulicas para a construção de diques provisórios no decorrer
da dragagem para evitar que o aterro voltasse para dentro do ancoradouro.


Mesmo assim, a segunda etapa do aterro foi concluída em 1972, abrindo espaço para a construção da Escola de Vela Barra Limpo, inaugurada em 13 de dezembro de 1975. Em 1977 estava concluído o atual projeto, com os espaços
para o ancoradouro à direita protegidos do vento sul a partir da formação da Ilha dos Jangadeiros. Com a nova área conquistada, a falta de espaço deixou
de ser um problema para o clube. Foi quando o Comodoro Geraldo Linck veio com a seguinte pergunta: o que vamos fazer na ilha? E a resposta não demorou: Chaguinha apresentou o desenho do Plano Piloto da Ilha e o antigo sonho do patrono Leolpodo Geyer se tornava uma realidade. Nas palavras de Geraldo Linck, no livro Clube dos Jangadeiros - Uma História de 50 anos: “acredito hoje mais do que antes que o associado não tem ideia da grandiosidade da obra que está usufruindo”. Ao encerrar o capítulo Uma Ilha no Rio, Linck destacou a participação do engenheiro Cláudio Aydos, Edmundo Soares, Kurt Keller, Edgar Sigmann e Luiz Chagas (Chaguinha) como os alicerces desta que foi a construção de uma ilha em pleno Rio Guaíba.


Além destas lideranças é bem verdade que inúmeras pessoas, associados ou não, tiveram participação direta neste grandioso projeto, que somou cerca de 20 anos entre o desejo de fazer e sua efetiva conclusão.Embora não exista uma data oficial de sua inauguração, dois momentos se destacam com o final de suas obras: o primeiro foi a abertura da Escola de Vela, que levou o apelido do velejador e campeão brasileiro da classe Pinguim, Walter Hunshe - o Barra Limpa. Ele faleceu em um acidente de trânsito e seus pais fizeram a doação do projeto e execução das obras da escola em homenagem à sua memória e pela dedicação que tinha pelo esporte. O segundo momento histórico, que se tornou o marco de sua inauguração foi em 1981, quando já havia maior infraestrutura física e paisagística, além do asfalto em suas vias de acesso para o tráfego de veículos.

Esporte e juventude movimentam à Ilha

Os anos 80 ficaram marcados pela grande quantidade de eventos realizados na Ilha dos Jangadeiros. Campeonatos de vela, eventos esportivos e muitas festas. A juventude agitou a vida social do clube, participando das regatas e comemorações. Foi um período também de conquistas inéditas e títulos nas mais variadas classes, do Pinguim ao Optimist, passando pelo 470 e o Hobie Cat. Entre os tantos eventos marcantes, impossível não destacar as Festas Jovens, que reuniam milhares de pessoas na Ilha. Além da diversão, estes eventos geravam uma boa renda para o clube investir na vela e nas obras de patrimônio. Mas também existiam os acontecimentos menores, como a Festa
Tropical, realizada em 1985, e as festas juninas, sempre um momento
de alegria para a criançada. Na parte esportiva, os associados aproveitaram um período rico em competições de todos os tipos. Enquanto a gurizada
divertia-se com campeonatos como o Bicicross e as regatas da vela, os adultos disputavam competições de tênis, de natação e até de bocha. O Clube ainda realizou um Sul-Americanode 470 e um Brasileiro de Optimist. E o mais legal é que estes eventos davam vida à Ilha dos Jangadeiros, que registrava
sempre casa cheia aos fi nais de semana. 


Mas é impossível falar dos anos 80 sem citar as inúmeras conquistas dos nossos velejadores. Além da participação de Marco Aurélio Paradeda e Peter Nehm nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, o Clube dos Jangadeiros obteve títulos inéditos e firmou-se como protagonista em classes como a 470 e a Hobie Cat. Nesta, o grande nome foi Nelson Picollo, vencedor dos Campeonatos Brasileiros de 81, 82 e 86 (Hobie Cat 14) e 86, 87, 88 e 89 (Super Cat 17). Outra conquista que entrou para a história do clube foi a medalha de ouro da classe 470 conquistada por José Luiz Ribeiro, o Vergonha, e Paulo Roberto Ribeiro, nos Jogos Pan-Americanos de Caracas, em 1983. O feito da dupla foi tão marcante, que,no retorno ao clube, os velejadores tiveram uma recepção de heróis, com direito a autógrafos e tudo mais. 


Na classe Pinguim, o nome da década foi de Luiz Fernando Bloss. Ele conquistou o mundo por duas vezes, enchendo de orgulho a Família Jangadeiros. Primeiro ao lado de Alexandre Hartmann, em 1982, no Mundial Junior, e depois, em 1985, tendo como proeiro Claudio Oliveira. Já no Snipe, uma das classes mais valorizada pelos nossos velejadores, a época era de vacas magras. A exceção foi a dupla Hilton Piccolo e Ralf Hennig que venceu o Sul-Americano, em 1987. Por outro lado, o 470 viveu anos de ouro. Foram três títulos sul-americanos, nove brasileiros e uma participação olímpica. Entre os tantos nomes que se destacaram na classe estão: Marco Aurélio Paradeda, Peter Nehm, Vitor Hugo Schneider, Cícero Hartmann, José Luiz Ribeiro, Paulo Roberto Ribeiro, Alexandre Schneider, George Nehm, Guilherme Correa dos Santos, Jorge Aydos e Luiz Fernando Bloss. E para fi- nalizar a década, a gurizada da Flotilha da Jangada trouxe para o Clube dos Jangadeiros um título, até então, inédito: o Brasileiro de Optimist. O autor da façanha foi ninguém menos que Alexandre Paradeda, o Xandi, em 1987. Naquele momento, surgia para o Brasil um velejador que nos anos seguintes
revelar-se-ia um dos nomes mais talentosos da vela nacional. E o talento para o esporte parece mesmo estar na genética dos Paradeda, pois em 1988 quem venceu o Brasileiro de Optimist foi Ricardo, irmão de Xandi.

Cláudio Aydos, o Vice

Ele se consagrou no clube por assumir a Vice-Comodoria em várias gestões, com a especial atenção para à área esportiva. Casado há 60 anos com Lucy, participaram ativamente da evolução histórica durante as últimas sete décadas. O dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht, escreveu certa vez a seguinte mensagem: “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. E imprescindível sempre foi a presença de Cláudio Alberto Franke Aydos, o Vice-comodoro de todos os tempos e momentos vividos nestes 70 anos do Clube dos Jangadeiros. 


Sua ligação ao clube se dá aos treze anos e a partir do dia da fundação do clube, levado pelas mãos do seu pai, Alberto Dubois Aydos (presidente do Conselho Deliberativo). “A festa de fundação do Clube dos Jangadeiros aos olhos de um garoto de 13 anos foi um deslumbramento. Eu nunca tinha visto tanta gente reunida, nem tanta alegria numa reunião. Lembro-me como se fosse ontem do doutor Nilo Ruschel junto àquela porta lateral da Sede do Continente e, transformando a escadaria como um palanque, fazer a leitura do discurso inaugural. Foram marcantes suas palavras, em particular quando disse: “É grato aos seus fundadores notar este animador espírito de entusiasmo com o que foi acolhida a iniciativa de doar mais um centro de desporto a vela à nossa cidade. Talvez nenhuma outra entidade, até hoje, tenha sido cercada, no seu nascedouro, de tanto otimismo e de tanta unanimidade” recorda Aydos um trecho da fala de Ruschel na ocasião do ato de fundação, em 7 de dezembro de 1941. Otimismo este que já estava no sangue do ainda menino velejador, batizado nas águas do Guaíba em seu primeiro Biguá, um barquinho de apenas três metros. E onze anos mais tarde, em 1952, 24 anos, assumia sua primeira Vice-Comodoria ao lado de Walter Günttler, Comodoro daquela gestão. E não parou mais de participar e de se envolver com todas as atividades do clube, em especial, pelo Departamento de Vela. 


Hoje, aos 83 anos, Cláudio Aydos é a memória viva do clube, conhecedor das lutas e dedicação das Comodorias ao longo destas sete décadas. E como ele mesmo diz: “cultivar a história e a tradição é sempre muito importante porque se os pessimistas dizem que quem esquece o passado está condenado a revivê-lo, mas como otimista que sou, prefi ro dizer que quem não esquece o passado tem história para contar”. E são muitas as histórias e estórias neste universo de vela e de navegação que o Comandante do Minuano e o sempre Vice-Comodoro Cláudio Aydos não deixa no esquecimento aquele menino de calças curtas que hoje é vivido pelo seu neto, o Silvaninha (Lucas) na classe Optmist, a quarta geração da família Aydos. Se sua vida é a própria história do clube, é bem verdade que nesta travessia uma pessoa muito especial esteve sempre ao seu lado: a esposa Lucy Aydos, que conheceu quando fazia parte do Departamento Feminino de Vela e competia como timoneira no barco Rajada. São 60 anos de convivência e três fi lhos: Luiz Alberto (Xumbico), Carlos Alberto (Cabeco) e Jorge Alberto (o Silvana) e três netos: Luiza, Maria Eugênia e Lucas, o herdeiro do avô Cláudio que mantém o barco na água e o espírito da família pela prática do esporte de vela.

Os mundiais da classe Snipe e 470

Nesta década o Clube dos Jangadeiros organizou dois campeonatos mundiais (Snipe e 470),um sul-americano (Snipe) e dois brasileiros (Snipe e Optimist) e criou o Troféu Cayru (em 1991) e a Copa Cidade de Porto Alegre (em 1996).
Esta década foi marcada pela realização de 2 campeonatos mundiais sediados pelo clube. Centenas de velejadores do mundo todo atracaram na Ilha dos Jangadeiros e deslumbraram-se com o ambiente paradisíaco que encontraram. Primeiro em 1993, no Mundial de Snipe, e três anos mais tarde, no da classe 470. Curiosamente, foi exatamente nestas duas classes que o clube obteve os resultados mais expressivos nos anos 90. Uma nova safra de velejadores saía do forno e começava a dominar o cenário nacional. Logo em 1991, George Nehm, o Dodão, e Henrique Bergallo venceram o Campeonato Brasileiro de Snipe, quebrando um jejum de 14 anos do clube, em competições nacionais da classe, e com um gostinho especial por ter sido disputado no Jangadeiros. A dupla ainda venceria no mesmo ano o Sul-Americano da classe.


Também em 1991, Thomas Burger e Laerte Sobolewski de Jesus conquistaram o Mundial de Pinguim. Mas as vitórias estavam só iniciando. Um novo velejador começava a despontar, tanto no Snipe quanto no 470, e prometia dar muito o que falar nos próximos anos. Depois de ingressar no mundo da vela através da Escola de Vela Barra Limpa, Alexandre Paradeda havia conquistado o Brasileiro de Optimist, em 1987. Quatro anos mais tarde, começou a empilhar títulos de Snipe, vencendo cinco brasileiros, dois sul-americanos e conquistando a medalha de Prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, Canadá. Aliado a isso, o talentoso velejador ainda levantou três sul-americanos e quatro brasileiros da classe 470. Era simplesmente um fenômeno. Sempre, claro, competindo ao lado de grandes proeiros. Durante este espaço de 10 anos foram diversos parceiros em suas conquistas. Velejadores de grande habilidade, como: Caio Vergo, Flávio Só Fernandes (Fafi ), Bernando Arndt (Baby) e André Fonseca (Bochecha), com quem Xandi disputaria os Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.


Por falar em Olimpíadas, foi também nos anos 90 que uma jovem velejadora começou a chamar a atenção nas águas do Guaíba. Cria da Escola de Vela Barra Limpa, Fernanda Oliveira mostrava grande desenvoltura e já dava os primeiros passos rumo à carreira olímpica. O que realmente se concretizou no ano de 2000, quando Fernanda disputou os Jogos Olímpicos de Sidney ao lado de Maria Krahe, a Dijá, outra talentosa velejadora do Clube dos Jangadeiros, medalha de bronze na classe Laser, nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, Argentina, em 1995. E, se os grandes eventos e inúmeras conquistas foram a marca destes anos é impossível não falar do Campeonato Brasileiro
de Optimist de 1996, de Frederico Plass Rizzo e do multicampeão Nelson Piccolo. Enquanto o experiente velejador continuava empilhando títulos (Piccolo venceu os brasileiros da classe Super Cat 17 em 91, 92 e 95), o jovem Fred era o grande destaque da Flotilha da Jangada. Ele já havia sido campeão brasileiro de Optimist em 1994, mas a consagração veio de vez aqui, no Clube dos Jangadeiros, em 1996. Como se não bastasse sediar a competição, o Jangadeiros ainda ficou com o primeiro lugar (Fred) e com o vice (com Roberto Paradeda). Ou seja, a festa foi toda nossa!

Uma medalha olímpica e o Mundial de Snipe

A atual década ganhou destaque através de Fernanda Oliveira, com a medalha de bronze nos jogos olímpicos de Pequim em 2008. E de Alexandre e Eduardo Paradeda, com a conquista do título Mundial de Snipe, no Uruguai. Foi neste período que o Jangadeiros chegou a uma de suas mais importantes conquistas, a medalha olímpica. E,em um clube onde os homens são maioria entre os velejadores, quem alcançou o tão sonhado feito foi uma mulher,a talentosa Fernanda Oliveira. Competindo ao lado de Isabel Swan, Fernanda fez bonito nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, terminando a competição com a medalha de bronze. O retorno da atleta a Porto Alegre teve direito a caminhão dos Bombeiros e carreata pela cidade, para comemorar a primeira medalha olímpica conquistada por uma brasileira em Olimpíadas.


Quem também continuava colecionando vitórias era Alexandre Paradeda. Em 2001, ao lado do primo Eduardo, Xandi obteve uma de suas mais importantes conquistas, o título do Mundial de Snipe, realizado no Uruguai. A dupla ainda seria campeã do Hemisfério Ocidental, em 2004, em competição disputada em Cabo Frio. Em 2002 e 2009, Paradeda conquistou os campeonatos sul-americanos da classe, primeiro ao lado de Flávio Só Fernandes e depois com Gabriel Kieling. E teve ainda a tão desejada medalha pan-americana, conquistada em 2007, no Rio de Janeiro. E o melhor de tudo: de ouro. O versátil velejador, entretanto, seguia com a carreira na classe 470. Agora, em parceria com Bernardo Arndt, o Baby, Xandi marcou presença nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Lá, ele teve a companhia de outras duas duplas do Clube dos Jangadeiros: André “Bochecha” Fonseca e Rodrigo “Leiteiro” Duarte e Fernanda Oliveira e Adriana Kostiw. Bochecha agora corria em uma jovem e promissora classe, a 49er, que ele logo passou a dominar em águas brasileiras e sul-americanas. Em 11anos, o catarinense, radicado em Porto Alegre, venceu simplesmente as 11 edições do Campeonato Brasileiro da classe, cinco do sul-americano e ainda participou de duas regatas Volta ao Mundo, terminando em terceiro e sétimo lugares, e mais uma Olimpíada, em Pequim, na qual terminou na sétima colocação. 


Em meio a tantos títulos que surgiu uma geração de talentosos velejadores. Dois deles, em especial, chamavam a atenção de observadores mais atentos: Fábio Pillar e Gabriel Kieling, o Bolinha. Enquanto o primeiro saiu do Optimist para o Laser, o segundo apostou na classe 420. E, em 2006 ambos colheram os frutos de suas escolhas. Bolinha, então proeiro de Roberto Paradeda venceu o Campeonato Brasileiro de 420. Fábio foi ainda mais longe, e com apenas 20 anos sagrou-se campeão Mundial de Laser Radial, feito inédito entre os velejadores do Clube dos Jangadeiros. Do Laser, Fábio pulou para o 470,no qual disputou a Olimpíada de Pequim ao lado de Samuel Albrecht, e iniciou uma série de vitórias, em âmbito nacional, vencendo as edições de 2010 e 2011 do Campeonato Brasileiro. Bolinha também deixou a classe 420 e rumou para o Snipe,desta vez para competir com outro Paradeda, o multicampeão Alexandre. E a parceria deu certo, obtendo conquistas em estaduais,brasileiros e sul-americanos. Ainda nesta década o clube sediou os campeonatos brasileiros das classes Snipe, Hobie Cat e Soling e os sul-americanos de 420, de 470, de Optimist e de 49er. Em todos estes, sempre colecionando importantes resultados, como o título inédito de Soling, em 2007, com Andre Wahrlich, André Gick e Fábio Pillar. Destaque também para as regatas de Vela de Oceano, como o tradicional Troféu Cayrú e Copa Cidade de Porto Alegre. E, em âmbito nacional, as vitórias do San Chico no Campeonato Brasileiro ORC.E se na vela estes últimos anos foram recheados de vitórias, as outras áreas do Clube dos Jangadeiros não deixaram por menos. 


As comodorias investiram na revitalização do patrimônio, recuperando áreas do clube, como a piscina, e construindo novos espaços, como a churrasqueira coberta da Ilha. A Escola de Vela Barra Limpa ganhou novos barcos e um trator, novinho em folha, que foi adquirido para à área do porto e lanchas. Além disso, foi iniciado o Projeto de Revitalização e Atualização do Continente, que tem como objetivo dar uma nova entrada para a entrada do Clube dos Jangadeiros e criar mais espaços para os associados.